     
A ARTE ANTERIOR À ARTE
instalação
do artista plástico Almandrade
Conjunto Cultural da Caixa
Rua Carlos Gomes, 57 - Salvador
- Ba
De 21 de janeiro a 20 de
fevereiro
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A ARTE ANTERIOR À ARTE
Este projeto está fundamentado em outros trabalhos realizados e não
realizados que ficaram guardados, alheios à qualquer divulgação, à
espera de uma oportunidade para serem viabilizados e novamente
pensados e adaptados a um novo contexto. Revendo minhas anotações,
analisando algumas idéias ou esboços para construção de uma poética,
cheguei a este projeto. Desde o começo da década de 70 venho
desenvolvendo um trabalho que tem como princípio a apropriação do
vazio como questão visual, em diversos suportes: desenhos, objetos
instalações, esculturas, pinturas e até poesias. Sempre fiz uso de
meios diferentes com um reduzido repertório de elementos simbólicos.
A opção por um vocabulário mínimo não é um acaso, mas um método de
trabalho.
"Cabe sempre ao artista fazer de muitas coisas uma só, e da menor
parte de cada coisa criar um mundo".
(Rilke)
A arte sempre me encaminhou para um fazer com o mínimo. Poucos
elementos como: elásticos e telas em pequenos formatos com cores
primarias, são o necessário para se construir um mundo, ou melhor,
um lugar, uma superfície para a contemplação do olhar sedento, capaz
de imaginar significados possíveis.
Este projeto visa um espaço quase vazio. Elásticos tensos e telas de
(50x50)cm. Portanto, poucos elementos definem um suporte capaz de
sugerir um pequeno problema para o espectador/voyeur resolvê-lo. Um
problema da arte. A arte tem seus problemas. Três pedaços de
elásticos, linhas que cruzam o espaço, delimitam um lugar dentro de
um outro lugar, rico de referências.
"...Não quer dizer que considero menos válidos os argumentos do
peso, mas apenas que penso ter mais coisas a dizer sobre a leveza."
(Ítalo Calvino)
Nas paredes pequenas telas, pintadas com as cores primárias, um
lugar para o descanso do olhar, um lugar onde a leveza não oculta as
inúmeras histórias. Qualquer modelo teórico surge do próprio
trabalho que de certa forma é um resultado de conceitos anteriores.
A arte é o que se vê, e o que se vê é produto de acúmulos de
pensamentos. Ver também é um gesto de transgressão e pensar implica
em olhar o desconhecido, inventar sentidos. O que propõe esta
instalação é uma poética da leveza, tem-se como fundo arte
conceitual e a arte construtiva, se quisermos relacionar à luz da
história. Não quer dizer nada como imagem que representa outra coisa,
além das referências do espaço onde se encontra.
A fala do artista como qualquer fala, não explica o trabalho de
arte, insinua um modesto conhecimento que pode apenas facilitar o
relacionamento do espectador com a obra. É possível se falar de
inúmeros pontos de vista, mas o mais importante é se defrontar com a
obra. Só o olhar pode tocar na sua "essência".
A arte é uma forma de conhecimento que exige leituras e reflexões
específicas.
Uma obra encerra múltiplas possibilidades de indagação. Recriamos as
imagens em nossa percepção, e as modificamos subjetivamente de
acordo com nossa experiência de vida. Projetamos sobre elas os
nossos valores e nossas inquietações. As obras de arte se completam
de formas diferentes na imaginação de cada espectador.
Quem olha ou lê este trabalho é cúmplice de seus significados.
Almandrade

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